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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Poema Irresponsável



Meu Poema bebeu
e ficou tonto,
agora de ressaca;
anda perdido e trôpego
procurando os versos
que perdeu...

encontrei o cretino
agonizando num beco,
deitado jogava conversa fora...

-Levanta vagabundo:
teu poeta te espera!

Marçal Filho
Itabira MG
16/11/2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Respingos





A esperar o trem
sinto a solidão das horas
vejo o escorrer da chuva
poças do olhar...

Cálido permaneço inerte,
gélido sofismando entregas
pálido a contar minutos,
gotas a pingar no chão...

meus versos molhados
sem brasa e sem chama
rebatem na lama
e respingam na dor...

Marçal Filho
Itabira MG
15/11/2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Nulidade





Hoje tenho a certeza
que o inverso do meu verso
a você não satisfaz...

Também sei que meu delírio
me propõe um desencontro
que lhe afronte um pouco mais...

Hoje a revitalização é nula
é seiva tímida de esperança
que traz o olhar criança
pra tanger minha lucidez...

Hoje meu futuro não é perto
sou adulto quase feto
ao parir a estupidez...

Marçal Filho
Itabira MG

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Reviver





Trouxe para você a sinfonia da ilusão
quero ver pulsar de novo meu acorde

e que ele possa acordar seu brilho,
eis que o clamor do amor é a chama da paixão,

é certo que o canto que no começo foi miragem
trará outra mensagem pra acalmar seu coração.

Então o belo que supúnhamos já perdido
possa dar um novo colorido e que esse
seja capaz de desencantar seu sim então...

e a sinfonia da ilusão que era tão minha
é agora sua e minha e se fez nossa canção...

Marçal Filho
Itabira MG
12/11/2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Lágrima seca




Tem uma lágrima seca
Que não tem mais motivo para chorar.
Está parada na alma
Estampada nos olhos
Deserta!

Quem sabe, hoje, caia uma chuva
Que renove a amargura
Assim, talvez, molhe a lágrima
E esta se derrame logo
Dando lugar a um novo alento.

Quem sabe este possa diluir a mágoa
Transcender a dor e germinar um novo momento
Pra sorrir o amor em definitivo...

Marçal Filho/Janete do Carmo
Itabira/Palestina

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

LABIRINTO





Caminho entre curvas porque não há retas
a meta à minha frente ficou para trás

Viajo sozinho e busco entender
ninguém, no entanto, não sabe explicar

De onde eu venho, não tenho lembrança
pra onde eu sigo não sei definir

E quando eu penso que encontrei o futuro
o cerco se fecha e não dá pra sair...

O novelo é gigante, enorme o barbante
não há nada adiante, atrás muito menos

Girando o relógio, ponteiros disparam
e minha cabeça abraça o vazio...

A vida sucata jogada num canto
enquanto a esperança está por um fio.

Marçal Filho
Itabira MG

domingo, 8 de novembro de 2009



















A Caminho de Mim



Eu não tenho história
de super-herói para lhe contar
e também não sei, se existe rei
para me domar...


Sou a preferência da abstinência
do que recriei e a minha estória
tenho na memória e já lhe contei...


Não sou mandarim,
nem o espadachim que você procura
e não sou a cura que você buscou
pra seu mal-estar, que não quer findar...


Mas se a ampulheta
marca meus segundos como você diz
eu não só concordo, mas estou a bordo,
quero uma viagem para ser feliz.


Marçal Filho
Itabira MG



















LETARGIA



Hoje queria fazer o Poema
mas bati com a cara na porta,
tem dia que o mundo
se recusa a receber o poeta,
tem dia que a vida não é
Poesia...


Tem vezes que a inércia nasce
da falta de ideias e estas;
morrem por sobra de letargia...


Marçal Filho
Itabira MG

Cumplicidade



Nessa noite, olho pela janela
tentando entender a vida...


Tenho apenas a lua
iluminando minhas cismas...


Ela permanece ali
parada e silenciosa...


Talvez por respeito
deixou-me entregue
aos pensamentos:


devaneios de minh'alma...


Marçal Filho
Itabira MG.


ESTAÇÕES



Água da chuva
gotejando na telha
Dizem que o outono
faz na gente centelhas
do Amor...


E os olhos dágua
são cacimbas a regar
ilusões e dor...


Água da chuva
gotejando na terra
Guarda no inverno
as sementes da serra

E então...
Há que chegar a primavera
pra enfeitar o verão
de cor...

Marçal/Gacê/Bira/Dudu Prado
(Poema Musicado)



sábado, 7 de novembro de 2009

Degradante




Em cada esquina uma rima me espreita
E da sarjeta o levante é desigual
Em cada rua a palavra incomoda
Porque a cena que me leva para a vida
É repelente destruindo o social...

No obsceno do comportamento chulo
Eu me anulo pra no fim aniquilar
E cada vez que volto a falar no assunto
Me vem o impulso para o ego da tristeza
E o ódio cego chega, sem sequer me avisar...

E nessa ênfase que traz meu cotidiano
Vejo o profano ali sentado em mesas fartas
Do outro lado onde reside só miséria
Um caos tão grande do tamanho da desculpa
Desses senhores que só vivem de bravatas...

Marçal Filho
Itabira MG
07/11/2009


DISCURSO:


-Sr Presidente: do jeito que a coisa desandou,
a Esperança se enforcou e o Medo ganhou as ruas...


Marçal Filho
Itabira MG.
07/11/2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

FLECHAS E RAIOS





Depois que a chuva
viajou para o horizonte,
o céu fez uma curva
construindo a ponte...

E d’um universo ardente
apareceu um sol a favor.
Criou um arco-íris diferente
com brilho e cor do nosso amor.

Flechas e raios
transpuseram o espaço
na luta de anjos e cupidos
querendo nos apanhar no laço.

Quando nosso desejo se prendeu
o festival de purpurina em poesia,
iluminou o palco com luzes e conspirações,
então sentimentos cingiram corações acesos...



Janete do Carmo&Marçal Filho
Sampa/Minas/05.11.09

Flor dificil de achar



Eu procuro ainda a flor
Que pretendo lhe ofertar
Há de ter melhor valor
Que as outras que achei

Porque flores tão comuns
Você não merece ter
Há de ter um puro olor
Que condiz com meu prazer

Eu ainda busco a flor
Bem mais linda do jardim
Tão bonita quanto a flor
Que sorri sempre pra mim.

Marçal Filho
Itabira MG
05/11/2009

Canção Vitimada.




A criança-mulher não viveu
a mulher protegia seu bem
esqueceu da menina porém
que assim tão novinha partiu...

Tanta mágoa e tristeza entre todos
pois a vida não vale um vintém
e a dor dessa mãe não tem fim
ao saber que perdeu seu neném...

Se a justiça do homem é morosa
majestosa é a justiça de Deus
é preciso que os povos entendam
que o amor está posto de lado...

e enquanto não se retomar
os valores que a gente perdeu
cada vítima do insano será
estatística de nossos fracassos...

Se poetas hoje vivem chocados
como o povo de qualquer lugar
quanto mais esperamos atitudes
muito mais vamos decepcionar...

Ultimamente ando tão descrente
do ser humano...
Mas uma coisa posso fazer:
Ser solidário pela perda de um.

Marçal Filho
Itabira MG.
03/11/2009.

(*Solidarizo-me com a Senhora Calazans, pela perda de sua garota cruelmente assassinada no RJ.)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009





















Linhas do Destino



Entre as linhas que eu teço agora
-Entremeio a realidade e a fantasia-
Verso risonho, dissimulado, chora
Enquanto verso triste simula alegria...


E este anacronismo que aqui retrata
-A parte fraca quer prender a forte-
Se meu caminho quer levar pro sul
Seu caminhar conduzirá ao norte...


Entre o impasse desse ir e vir
Tem o consenso para o versejar
Se a linha reta vai nos conduzir
A tortuosa quer nos encantar...


Uso o bom senso; inspiração e tino
Reverto o reverso e me ponho a riscar
Sigo e teço nas linhas do meu destino
A dubiedade fascinante do verbo poetar..


Lena Ferreira & Marçal Filho
..............Rio/Minas...............



















GLADIADORES

Enquanto debatem ideias
discutem virtudes e apelam
e criticam e se ofendem
a vida torna-se mais curta...


Enquanto se deprimem
inventam argumentos
criando discórdia
semeando orgulho
repudiando o amor
a vida se encurta um pouco mais...


Tolo é todo aquele que
esquecendo de se olhar
prefere acusar o outro
quando der por si
e procurar a vida,
provavelmente verá que ela
estará virando a esquina e,
não retornará para se despedir.


Isso não é questão de discussão, ou
colocação sem mérito ou irrelevância,
quem dera fosse!


Mas sim, isso constitui fato consumado.


Marçal Filho
Itabira MG.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009




















DO OUTRO LADO DO MURO



Há um pai que lamenta
Pois o filho partiu
Sem bagagem, sem rumo
Lá se foi o menino
Que dizer do destino
Quando tudo esvaiu?


Que dizer da saudade
Da lembrança latente
Que fazer do desgosto
Remoendo a utopia
Da tristeza que veio
De uma falsa euforia?


E quem sabe o que havia
Do outro lado do muro,
Quando a mente vazia
Rebuscava o futuro,
E na ganância que ardia
Perdeu-se na mira
E caiu no obscuro?


Se a angústia confusa
Renitente persiste
Quem sabe outro dia
Outro filho, qual o pai...
Só viaje em sonhos
E por fim a intrusa tristeza indigesta
Dê lugar à esperança
E se atrase para a festa.


Saulo Campos / Marçal Filho e
José Carlos Resende
Itabira MG 01/11/2209.


Poder de Fogo*

"A poesia
é um antídoto
para venenos letais;

tem o poder de curar
grandes males;

e

ao mesmo tempo
que grita contra
as injustiças;

pode calar a boca dos tiranos"

Marçal Filho
Itabira MG
02/11/2009

domingo, 1 de novembro de 2009

CANTAROLANDO




Fui num pé, voltei no outro,
vim na onda do teu mar,
andarilho, ando solto
vivo a cantarolar; e de volta,


volto e vejo, que o desejo,
continua invadindo o meu olhar.


Marçal Filho
Itabira MG.