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quarta-feira, 9 de março de 2011

BUSCA


Vem que te quero mais,
traz-me uma canção de amor,
anule o que não desejo
e sinta meu coração...

Não deixe a desesperança
Vencer nosso dia a dia,
eu busco tua companhia
magia pra meu pensar.

Eu quero te ver tranqüila,
saber que estaremos bem,
sentir que será possível
me ver no teu caminhar...

Uma tela mais colorida,
que a vida quer remoçar
e até um poeta louco
por certo, pode sonhar!

Marçal Filho
Itabira MG

sábado, 5 de março de 2011

Das perdas e ganhos


Eu tenho uma voz que me cala
na fala que sufoca meu querer
um resto que abomina meu direito
pra ter outro desejo, outro viver

Eu tenho uma denúncia permanente
que sangra meu pecado e o peito meu
e, durmo com essa sensação de perda
que sempre me fará de novo um ateu

Eu tenho um motivo que me encanta
e suplanta o novo toque da razão
a deixa no prelúdio que se encerra
na falta do entender de outra canção

Mesmo assim navego entre cantos e sorrisos.



Marçal Filho
Itabira MG
03/03/2011

Algumas considerações


Só jogo até certo ponto
Não dou nó em goteira
Quando pensar que estou indo
Já voltei faz meia hora
Só carrego um patuá
Quando a mandinga é forte
Não dou mole pro azar
Pra não derrapar na sorte

Da vida se tomo tabefe
É certo que vou revidar
Descalço não chuto barranco
Espero a poeira abaixar
Se metem a mão e me roubam
Na certa muito longe não vão
Posso ter um destino traçado
Mas a história carrego na mão.


Marçal Filho
Itabira MG
01/03/2011

Sem métricas ou rimas

Ao diabo as coisas metrificadas
ao inferno os versos arrumadinhos
pois rimar amor com flor e dor

é bater palmas para a mesmice
é viver com os pés amarrados
e ter as asas coladas ao próprio corpo.

Não nasci para ser um poste,
muito menos escravo do marasmo.


Marçal Filho
Itabira MG
27/02/2011

A chuva e o beijo


Sob o guarda-chuva,
eu você e nosso beijo
-façamos um trato-
paramos quando a chuva cessar...
Detesto chuvinha passageira...
ainda bem que estamos no verão,
ainda bem, que tem muita água pra cair.


Marçal Filho
Itabira MG
25/02/2011

Sumaúma


Maior das árvores brasileiras,
de raízes belas com desenhos mágicos
onde a exuberância mostra-nos a necessidade
da preservação, sob pena de pagamento impossível...

É preciso redefinir questões
é preciso menos ganância
é preciso punição aos crimes
é preciso reinventar os homens
É preciso acreditar na vida!


Marçal Filho
Itabira MG
25/02/2011

Insanidade


Por tanto distúrbio
quimeras e pranto
em outro acalanto
da imaginação...

Sem eira ou beira
bocado e sufoco
parecendo louco
sem opinião...

Enigmas e caos
morfinas do mal
memórias servis

Sem pulso batendo
assim vou morrendo
olhando pra cruz.


Marçal Filho
Itabira MG
25/02/2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sa-u-da-de


Sa-u-da-de*

- tem dia que tudo é tão metade
que até o beijo; vem partido
dividindo uma saudade -

Marçal Filho
Itabira MG

14/02/11

Questões Íntimas


O meu pacto não vigora
vou rodando vida a fora
como um vulto sem razão
não arrisco no escuro
não me bato contra o muro
mas sequer vejo um clarão

Como a isca dum desejo
que seduz esse lampejo
sem pecado e remissão
solto a peia do destino
que vagueia meu caminho
sem mostrar a direção

Me pergunto até quando
vou estar nesse comando
sem nenhuma identidade
me procuro e deprimido
ao me achar já estou perdido
no resgate da verdade.

Marçal Filho
Itabira MG
14/02/2011

Memórias Estudantis



Quando vejo discrepâncias escolares
conduzindo o infortúnio dessa gente
lembro-me dos velhos tempos
dos aprendizados pueris da adolescência...

Por conveniência roubo a carta da memória
visão simplória, nos ditames do amanhã
então, a lágrima teimosa molha o rosto
e meu desgosto traz-me de volta pro divã...

Confuso entre o sonhar e o faz de conta,
a mente apronta vestindo a roupa de passeio
e bem no meio dessa visão em mim confusa
esqueço a musa que minh’alma desenhou...

Choro o tempo dum passado de sorrisos,
que insiste devolver-me essa saudade.


Marçal Filho
Itabira MG
12/02/2011

DA TIMIDEZ DE SEMPRE


Traduzir seu desejo
é certo não conseguirei
produzir sua verdade
não tenho capacidade
penso em tudo e nada sei

Sou um bicho do mato
sem cultura e abstrato
arredio e um tanto chato
todos dizem, já ouvi

Minha postura grotesca
pouco usada e romanesca
me atrasa e diminui
meu sonhar besta e humilde
quando chega me agride
então volto à timidez

Tenho complexo de avestruz
por isso, a penumbra me abraça,
mesmo estando em plena luz

Marçal Filho
Itabira MG
12/02/11

A LENDA DA CABEÇA DE BURRO


Eu ouvi de vovô, a estória da cabeça de burro
que alguém do passado, havia enterrado
e desde esse dia, a cidade sentida,
não via saída, tudo estava emperrado...

A tal cabeça de burro parecia verdade
pois toda a cidade comentava esse fato
mas, ninguém até hoje sabia explicar
onde estava enterrado o pedaço de asno...

Ao diabo essa lenda que alguém inventou
é preciso sair da letargia e acordar para vida
o tempo é agora; eis que a cidade desperta
façamos um novo desenho; sigamos uma nova idéia

Proponho de fato, um novo viver, um outro sonhar...
para brincar de ser feliz é só em nós mesmos, acreditar
Somos parte da história, mas se desejarmos...
podemos mudar esse enredo e destruir a cabeça de burro.

Marçal Filho
Itabira MG
04/02/2011

Sem Limite


Viandante sigo...
Sou poeta esparramado
Meu versar além fronteira
Leva meu coração alado
Pois viver sem poetar
É morrer enclausurado

A poesia não tem limite
Quando a imaginação é fértil
Ninguém sabe onde está o fim do uni(verso)
Nem tão pouco o começo do imaginário.

Marçal Filho
Itabira MG
31/01/2011

Para não comprometer...


A felicidade chegou desconfiada
ficou na porta espreitando o aposento
só depois de muito tempo resolveu entrar

Eu, mineiro que sou
ressabiado fiquei e, não puxei muita conversa
não quis me comprometer e nem espantá-la de vez

Desde então convivemos lado a lado
“causdiquê” não interesso perdê-la
Quando você vir visitar-me, fale baixo,
essa danada vive ameaçando se mandar.

Marçal Filho
Itabira MG
31/01/2011

Onde o lirismo é necessário


Meus dedos deslizam
por onde a imaginação mandar
e nesse imaginário bom
transo o desfecho da cena
compondo meu teatro lúdico

Possibilito aos que me vêem
transar a imaginação que quiserem
e decidirem o final que desejarem

A realidade às vezes é bruta,
mas, a imaginação, não precisa ser
afinal, o que seria da poesia,
se retratasse somente o óbvio?

Como seria a descrição do óbvio,
se não houvesse a poesia?

Marçal Filho
Itabira MG
30/01/2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Pingente Verso


Meu verso capenga
Maluco molenga
Caduco pendenga
Matreiro e vulgar...

Balança e chocalha
Se rasga em navalha
Pipoca em metralha
Mas quer viajar...

Não existe passagem
Para essa viagem
Só se vê sabotagem
No trilho, a vagar...

E o verso pendura
Levando a amargura
Mas traz a candura
Pra novo poetar.

Marçal Filho
Itabira MG
30/01/2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

Que seja, então

Que seu olhar seja sereno
e ao brilhar cintile em mim
que meu olhar veja em você
a musa linda em meu viver

Que nada ofusque o nosso brilho
que seja mesmo, só clarão
e, quando a dúvida, aqui vier
seja vencida com o perdão

Que nossas almas voem felizes
de mãos dadas no infinito da amplidão
que tudo seja mais que perfeito
que sejamos dois e um coração.



Marçal Filho
Itabira MG
26/01/2011

Tristesse


Meus versos de outrora
regiam compassos de belas canções
meus versos de agora
são contas de lágrimas dos olhos chorões

Aquele meu poetar trigueiro
fagueiro e de risos frugais
desfolham tristezas sorvendo prelúdios
dos sons madrigais

Meu flamboyant parece observar-me
por certo chora e, triste também se faz
contemplativo com suas flores vermelhas
despetalando entre as folhas, mágoas e tantos ais.


Marçal Filho
Itabira MG
25/01/2011

BIGORNA DE IMBECIL


Quando uma gota de água
Valer mais que um grão de ouro
Então verão o tesouro
Ao qual têm dizimado

Quando de sobre teu chão
A tez do ozônio se for
Enxotada pela vil insensatez
Quem sabe a cegueira nos faça ver
O inferno que a gente fez

Tudo aquilo que buscamos
Na consciência tardia
Culminou em desespero
No acordar da letargia

Não que seja redundante
Mas só queria ver adiante
O que dantes fora escrito
E no nada que virá, pelo menos há de ficar
Da minha parte; Esse grito


Saulo Campos/Marçal Filho/Marcos Gacê
Itabira MG –
23/01/2011

O passageiro


Nada mais eu falo,
a missão derradeira dessa pregação
é uma página dobrada do livro que acabei de fechar

Sou dessa denúncia
atingido em cheio, por flechas e punhais

O peito sangrando,
minha espera é quando tenho nada pra falar
mas, conduzindo o passo nessa estrada louca
quero ainda muito nela caminhar...

Eis que a espera é quase finda
mas sei que ainda vou viajar...

A vida é um expresso no trilho
continuo na estação de partida,
eis que o trem vem logo ali apitando na curva.


Marçal Filho
Itabira MG
18/01/2011