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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Irreverentemente irrelevante


Sou Jane sem Tarzã sou Joplin sem o rock
Um pop star comum, não fui a Woodstock
Meu ritmo não coca, nem cola good nigth
Sou pássaro sem plumas, um locutor de araque

Meu Eu às vezes grita, para o outro Eu calado
Que na surdez não saca, porque está tudo errado
Meu gás não tem petróleo, engodo sou mais um
Sardinha prensada em lata, com o preço do atum

Um megaton sem bomba, azougue contra o mal
Apenas no ostracismo, cismando ser o tal
Enquanto todos querem o seu lugar ao sol
Eu dispo-me da capa e vou brincar na chuva

Sou mesmo assim mesmo e, mesmo assim sou nada
Perambulando a esmo, sem marca registrada
Leão rugindo em pânico, meu Eu esquizofrênico
Dosando a estriquinina, pra por no meu arsênico

Sou comandado e fútil, inútil e sem porvir
Um náufrago perdido, sem porto onde atracar
Esquálido por defeito, recusando-se a mentir
Se mesmo assim quiseres; direi: - vamos tentar.


Marçal Filho
Itabira MG
02/10/2010

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